XXXV


- Tomemos o seguinte exemplo:

«- Onde se pode encontrar a prova da existência de Deus?

- Num axioma que aplicais às vossas ciências. Não há efeito sem causa. Procurai a causa de tudo o que não é obra do homem e a vossa razão responderá. (LE, 4)»

E agora o que escreveu um certo Richard Price no século XVIII: “A razão que temos para acreditar que na constituição das coisas existem leis fixas de acordo com as quais as coisas acontecem e que, portanto, o quadro do mundo deve ser o efeito da sabedoria e do poder de uma causa inteligente; e assim confirmar o argumento retirado das causas finais para a existência da Divindade.”

Será temerário usar o método indutivo e considerar que os  Espíritos sabem o que os homens sabem, e não mais, excepto talvez no que à erraticidade concerne, que nos Espíritos é perene e nos homens é memória ténue?   

 

- Regressa à carne quem da carne parte. Ou dito de modo simplista:  os Espíritos são os homens sem o corpo de carne e os homens são os Espíritos com corpo de carne. Ora num estado,   ora no outro, num ciclo repetido inúmeras vezes.

Numa escola primária há alunos do ensino primário,  numa escola secundária há alunos do ensino secundário. Na escola Terra os alunos,  homens e Espíritos, estão dentro dos limites que o nível de ensino nela ministrado pode abranger. Continuando com a analogia, convenhamos que a Terra ainda não foi promovida a universidade. Portanto, professores e alunos,  que até alternam  posições, não vão além do que estão capazes e do que é necessário.

É sabido que regularmente Espíritos de escolas mais avançadas encarnam na Terra para lhes trazer novos conhecimentos e ajudar ao progresso (os não-violentos são professores universitários,  mas um após outro os maltratam. Se não são desejados, que os trará?), tal como é certo que os Espíritos da codificação trouxeram novidades, assim como deram forma mais esclarecida a saberes já expressos, alguns deles bem antigos.

Quantas vezes foi já referido que “a Ciência foi dada ao homem para o seu adiantamento em todas as coisas”? Ora, quem diz “Ciência” diz pensamento, diz trabalho de estudo e investigação; quem diz “homem”, diz Espírito encarnado; quem diz “todas as coisas”, diz o que é da ordem do material e da ordem do espiritual. Então, os Espíritos sabem o que com esforço aprenderam enquanto homens, e exsudam as aquisições morais e a maior ou menor consciência cósmica.

Daí que, pelo exposto, e como já referido anteriormente seja, repetimos, “errado pensar que os Espíritos que falam aos homens são detentores da plenitude do saber, porque não corresponde à realidade. A morte não transforma um ignorante num sábio, e todos podem comunicar-se”. É certo que se houver vontade de aprender a erraticidade serve para muito mais que perambular, visto que “Nos intervalos das encarnações aprendereis em uma hora o que na Terra vos exigiria anos de aprendizado. [LE 898]”, mas quem não tinha essa vontade na carne raramente a tem fora da carne. E a realidade é que é imensa a mole de Espíritos que pouco mais fazem que perambular, desorientados pela ignorância transmitida pelas mundividências dominantes.

Seria desonesto negar também que os Espíritos podem, por séculos,  manter-se aferrados a ideias, crenças e peculiaridades, o que torna previsíveis as comunicações e não as desinibe de arcaicos  sistemas. 

 

 

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