XXXIII


- É admissível entender que a acompanhar o princípio inteligente na sua evolução existe um envoltório que com ele evolui até ser o perispírito como o conhecemos. Esse proto-perispírito explica os denominados “campos de vida” devido aos quais uma inspecção feita com galvanómetros ultra-sensíveis é capaz de em plantas no seu estágio inicial revelar o formato do material que será moldado?

 

- Nem podia ser de outra maneira [evolução do perispírito]. Se longo é o caminho do princípio inteligente, por que não o há de ser também o do perispírito, atendendo sobretudo a que este será o veículo das sensações, das emoções, dos pensamentos e da vontade? 

Quando Allan Kardec ao tentar estabelecer a diferença filosófica entre alma e Espírito [O que é o Espiritismo, cap. II, 14] diz que não se pode conceber o princípio inteligente isolado da matéria, nem o perispírito sem ser animando pelo princípio inteligente, viabiliza a conexão do perispírito à matéria; pois as experiências de Burr [Harold Saxton Burr] que conduziram aos campos electrodinâmicos, aqui denominados “campos de vida”, anunciam que todos os seres são por eles moldados e controlados, e é voz corrente no meio académico que já não se admite, sequer, a existência de uma partícula elementar sem que a ela corresponda um agente estruturador pertencente a outro domínio. A teoria dos campos morfogenéticos [Rupert Sheldrake] diz da ideia de um modelo que serve à organização biológica, e mostra que o papel do ADN na estruturação dos organismos é bem mais modesto do que se imagina.

Há relação do perispírito nas suas várias fases com os campos L e M; a natureza e as especificações dessa relação para serem compreendidas necessitam de estudos mais aprofundados.

É, pois, consonante na harmonia das leis naturais que na sua evolução o princípio inteligente ao mesmo tempo que adquire nos seres  vivos formas e funções cada vez mais complexas, também define como seu envoltório um campo cada vez mais refinado, com vista a capacitar-se das já elencadas funções instrumental, individualizadora, organizadora e sustentadora.

[F. Instrumental – servir de instrumento à alma, em sua interacção com os mundos espiritual e físico;

F. Individualizadora - a alma é única e diferenciada, e o perispírito, como seu envoltório perene, mostra-a, reflectindo-a, assegurando-lhe a identidade exclusiva;

F. Organizadora - que serve, como modelo, à organização biológica;

F. Sustentadora – sustentar o corpo desde a formação até o completo crescimento, conservando-o, depois, na vida adulta, e garantindo a manutenção dos elementos que identificam a pessoa.]

A cultura milenar chinesa tem no qi (ou chi) a “substância” fundamental ou a essência do universo que não é totalmente espiritual nem totalmente material; é a energia que permeia toda a vida, conectando de maneira harmoniosa os mundos vegetal, animal, humano e divino, permitindo-lhes cumprir seu potencial (na cultura milenar indiana toma o nome de prana). Não estará a referir o fluido universal na acção de constituinte do perispírito?

E um dia, quando o Espírito já não mais precisar de corpos materiais, e estes também já tão depurados que se confundem com o perispírito, e a perturbação das emoções tiver ficado para trás, o perispírito se torna tão etéreo que a vossos olhos  é como se não existisse [LE 186] – mas que não  pode ser negado, pois como podem os Espíritos, que não têm mais corpo, constatar a sua individualidade e distinguir-se dos demais seres espirituais que os rodeiam senão por meio do perispírito, que os distingue uns dos outros, como os corpos entre os homens [LE 284]?

 

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