XXXII
- A humanidade demorou dezenas de milhares de anos
para alcançar o primeiro bilião de habitantes, por volta de 1800; 125 anos
depois a população tinha dobrado, 2
biliões de habitantes, portanto. Cem anos mais e esse número multiplicou por
3,5 vezes, pois estamos nos 7 biliões de habitantes. Como o item 687 do LE
tranquiliza quanto à catástrofe demográfica, qual a nossa participação e
responsabilidade no equilíbrio demográfico atendendo a que só em 2024 foram
praticadas 45 milhões de interrupções voluntárias da gravidez, que não deveriam
acontecer (LE, 357 a 359), e os itens 693 e 694 do mesmo não dão aval ao uso de
contraceptivos?
Paralelamente
temos a constatação de que nos últimos cem anos a Terra foi inundada por
migrantes de outros mundos, pois dado o nível intelectual médio observado não é
concebível não terem tido experiências corpóreas para progredirem, e a Terra
não pôde proporcionar quantitativamente essa oportunidade?
- O Espírito vive sem o corpo, mas o corpo não vive sem o Espírito. Por conseguinte, se Deus limitar o número de
Espíritos do quinhão terráqueo a população encarnada também estará regulada[1]. Mas esta solução extrema é apenas um raciocínio
nosso, não mais que isso, mas suficiente para mostrar que é possível o controle
demográfico sem recorrer a cataclismos.
Na alínea a) do item 693 diz-se que “Deus concedeu
ao homem, sobre todos os seres vivos, um poder de que ele deve usar, sem
abusar. Pode, pois, regular a reprodução, de acordo com as necessidades. A
acção inteligente do homem é um contrapeso que Deus dispôs para restabelecer o
equilíbrio entre as forças da Natureza e é ainda isso o que o distingue dos
animais, porque ele obra com conhecimento de causa.” Se à resposta tirarmos o
contexto de plantas e animais da pergunta, vemos espaço para legitimar o uso
sem abuso da contracepção. Mas, com efeito, esta interpretação não casa com o
disposto no item 693 de que a alínea faz parte. Tal como em mais pontos, também
neste não foi possível impedir que o
viés dogmático deformasse a perspectiva dos Espíritos, bem assim como as
respostas coligidas, porque o peso de séculos de desinformação era demasiado
para ombros ainda frágeis.
O problema real não é a quantidade, sim a
qualidade. Se fôsseis menos materialistas
não elegeríeis por deuses o dinheiro e o poder e o mundo seria mais
aprazível para todos. A inevitável marcha do progresso o conduzirá a esse
desiderato, mas cabe a vós adiantá-lo ou
retardá-lo, conforme o uso que derdes ao livre arbítrio. Como foi ensinado, o
egoísta colhe os frutos do egoísmo, o orgulhoso
os frutos do orgulho, e assim sucessivamente. Se o sabor dos frutos for
amargo, apenas têm que escolher árvores que produzam frutos doces. Se houver
boa vontade, até o verdadeiro bem-estar,
que “consiste em cada um empregar o seu tempo como lhe apraza e não na execução
de trabalhos pelos quais nenhum gosto sente” [LE 812], perde o ar de utopia com que o vês.
O aborto é um mal inserido no conjunto de males
decorrentes do atraso em que viveis. Mas tende esperança, já que solucionar uma
dificuldade leva à solução de outra, uma descoberta a outra descoberta conduz,
porque tudo está interligado.
Só a
migração em larga escala de Espíritos de outros mundos para este vosso explica
o rápido aumento da população, assim
como explica o incremento científico, e
também ético-moral, que é real embora em grau menor, verificado no século XX, e
a manter-se no seguinte, pois a necessitarem de provas que neste podiam ser
prestadas para ele vieram, trazendo as aquisições da inteligência e o senso
moral lá deficitário, mas cá excedente.
[1] As previsões da ONU apontam para que o
número de crianças em 2100 não seja mais elevado do que o actual. As previsões
apontam também para que a população mundial estacione entre os 11 e 12 biliões.
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