XLI
- A guerra é
necessária para objectivar a liberdade e o progresso (LE 744), mas se são
suscitadas para satisfazer ambições atropelam o objectivo da Providência (LE
745) e, portanto, não encontram motivo nem justificação válidos.
Acontece que fazendo uma
retrospectiva histórica praticamente não se encontram guerras em que a ambição
não é a causa principal. Podemos então inferir que a quase totalidade das
guerras que já se deram foram simplesmente desnecessárias?
- Aquele que tira a
vida ao seu semelhante corta o fio de uma existência de expiação ou de missão [LE
746]. Logo, uma morte não deixa de ser uma morte, um crime não deixa
de ser um crime. O “não matarás” vale para todos os dias, não apenas para os
dias pares, ou ímpares, conforme o capricho humano. Sendo a predominância da
natureza animal sobre a natureza espiritual e transbordamento das paixões o que
impele o homem à guerra [LE 742], enquanto essa natureza predominar os
homens tal como os animais disputarão espaço territorial e recursos naturais, e
deixarão que o instinto de conservação se sobreponha a qualquer consideração de
ordem moral. A desconfiança entre espécies-tipo no animal é no homem
desconfiança racial e étnica, com o que mais inventaram de desconfiança
cultural. Os custos das guerras em privações e sofrimento ensinarão as
vantagens de cooperar sobre competir. Ou, como disse Léon Denis [O
Invisível e a Guerra], “as dores das guerras são instrumentos necessários
para sensibilizar Espíritos endurecidos”. É sob este prisma que se deve
entender a necessidade, já que é manifesta a dificuldade em descobri-lo pela
razão. Deus jamais faria da guerra uma necessidade em si.
Aos agrupamentos humanos
constituídos em nações basta-lhes o vale fértil que já possuem? Não; ambicionam
o vale do vizinho, porque o vale dos outros é sempre mais fértil. Ao macho
dominante narcisista basta-lhe o grupo? Não; ambiciona dominar um continente. E
assim a história é feita de impérios assentes sobre sangue derramado que clama
aos céus.
Não é preciso
experimentar o mal para chegar ao bem. Se a Lei Divina está escrita na
consciência, basta estar atento a si mesmo para apreciar os contrastes e
conhecê-los. Vejam, dentro da Lei de Destruição, e considerando a guerra como
flagelo destruidor, que é dito que para conseguir a melhora da Humanidade Deus pode
e emprega todos os dias outros meios que não os flagelos destruidores, pois que
deu a cada um os meios de progredir pelo conhecimento do bem e do mal [LE 738].
E eis o que diz o item
745 sobre aquele que suscita a guerra para proveito seu: “Grande culpado é esse
e muitas existências lhe serão necessárias para expiar todos os assassínios de
que haja sido causa, porquanto responderá por todos os homens cuja morte tenha
causado para satisfazer à sua ambição.”
Quando os homens compreenderem a
justiça e praticarem a lei de Deus, a guerra desparecerá da face da Terra [LE 743]. Portanto, a
Providência não impõe a guerra, os homens enquanto dominados pela animalidade é que criam a necessidade. A guerra é quase
sempre uma escolha. Em mundos mais avançados o progresso e a liberdade dão-se
sem recurso à guerra.
[A não violência activa,
popularizada por Gandhi, implica ação corajosa, resistência pacífica e
intervenção sem violência. Como acção diária é uma escolha de vida, envolvendo
escuta activa, empatia, respeito e honestidade nas relações; como resistência pacífica
usa estratégias como protestos, desobediência civil e não cooperação, usadas
para desafiar injustiças; nos fundamentos baseia-se em quatro pilares
principais, incluindo amor, verdade, não violência e não cooperação.
A não violência busca a transformação
social através de meios que respeitem a dignidade humana, promovendo a justiça
em vez de apenas a ausência de conflito. - IA]
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