XLII


- O homem pode, às vezes, embaraçar a marcha do progresso, mas não pode paralisá-la. É, portanto, inexorável, e o progresso avança a despeito de qualquer vontade humana em contrário. É dito também que Deus castigará os que tentam deter a marcha do progresso e fazer que a Humanidade retrograde. (LE 781)

Porém, verifica-se que ideologias e instituições desde há séculos inimigas do progresso  encontram-se pujantes e não se vislumbram sinais de declínio. Como deve entender-se o castigo de Deus acima afirmado?

 

- [«O progresso é a aspiração pelo melhor, pelo belo, pelo bem; é a prova da existência em nós de um princípio superior, de alguma coisa grandiosa, quase divina, que nos encaminha para destinos mais altos, que nos lança sempre para frente, nos domínios do pensamento e da consciência.» Léon Denis. O Progresso]

 Se Deus age indirectamente através das leis e se estas se auto-executam (se assim não fosse em vez da existência teríamos a não-existência. Dos princípios material e espiritual nada teria resultado), Deus não interfere, logo, não castiga [LE 964]. O sentido da afirmação é figurado, pois que há limiares cuja ultrapassagem provoca convulsões, que podem ser vistas como castigo.

Ideologias e instituições são fruto do pensamento e da vontade dos homens; deixando de haver homens que partilhem determinado ponto de vista, a ideologia e a instituição que a representa associadas ao ponto de vista que desaparece também desaparecerão.

O progresso do conjunto é lento, sobretudo nos estágios iniciais; para ser percebido globalmente tem de ser analisado olhando séculos e não períodos curtos. “O progresso é como o oceano, tem seus fluxos e seus refluxos, suas marés altas e baixas, as quais abrangem períodos às vezes seculares [Ibid.]

(E, sim, o desejo de manter o status quo e a aversão ao progresso também estão, como é previsível, no mundo dos Espíritos, os quais, os estáticos, as instilam junto de quem lhes é simpático. Há conluios entre encarnados e desencarnados que escapam ao olhar corrente.)

Para aquele que avança rápido seria castigo ter de permanecer junto dos que se recusam avançar, mas isso não acontece. Há muitos mundos onde aquele que tem vontade de progredir pode voar livre da gaiola da ignorância. Já os que teimam manter-se estacionários são vítimas de si próprios, ou seja, permanecem prisioneiros nas ideologias e instituições retrógradas que defendem, até ao dia em que a força das coisas se lhes imponha.

Vêde: os que resistem ao apelo da reencarnação podem retardá-la por longo tempo, mas um dia vem em que a força da lei do progresso vence a inércia e reencarnam, queiram ou não. Aí está, embaraçam a marcha do seu progresso mas não a paralisam. O que vale para seres individuais vale para colectivos.   

“O progresso não é uma lei fatal, inevitável, como uma das leis cegas da natureza, seria a negação da liberdade. Sim, sem dúvida, o homem  é um ser progressista, perfectível por natureza. Progredir é sua missão na Terra, é seu maior dever; é aí que está a fonte de sua grandeza, de seu poder. Porém, antes de tudo, o homem é livre, livre e responsável por seus actos. [Ibid.]”

Falta um sentido para saber o que Deus é, mas já podemos saber que não é o híbrido meio Javé senhor dos exércitos, cioso e vingativo, meio Abba misericordioso que cede a imprecações. Ser arrastado pela corrente é consequência natural e automática à rejeição das leis divinas.

 

 


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