XXXVIII
38. - Ensina-se como verdadeiro que a
encarnação é programada ao pormenor, o que implica a escolha prévia dos
genitores. Nas gravidezes que resultam de estupro ou qualquer forma de sexo
fortuito existe ainda programação?
- A Lei de Causa e
Efeito não é sinónima da Lei de Talião. Associa-se karma à lei de causa e efeito, mas karma é um conceito que encerra fatalidade, ou seja,
a força que predispõe os acontecimentos e que não pode ser alterada. Mas a Lei
de Causa e Efeito além de considerar atenuantes e agravantes, sempre caso a
caso, também permite alternativas, que combinam com os propósitos do Espírito
aquando da reencarnação e com a concretização ou não desses mesmos propósitos.
Embora o termo karma seja usado por espíritas o conceito não é espírita,
como se depreende.[1]
Na erraticidade o
Espírito escolhe o género de provas por que há de passar; sendo com a permissão
de Deus, porquanto foi Ele que estabeleceu todas as leis que regem o Universo [LE 258], não implica que
determine que alguém seja agressor e outro alguém seja agredido, a
violência decorre do livre-arbítrio. Se Deus determinasse estupros, homicídios,
suicídios, onde estaria o Seu amor e bondade? E na ausência de livre escolha,
onde estaria a responsabilidade?
Tendo em conta a
enorme quantidade de Espíritos necessitados de reencarnar, nas gravidezes
aleatórias ocorre que os Espíritos mais próximos do casal naquele momento são
atraídos pelas vibrações do óvulo fecundado, fecundação que ocorre no tempo
médio de três horas após o acto sexual. E não, não cabe nas provas nem nas
expiações; as situações dolorosas são aproveitadas para um bem maior.
A programação ao
pormenor a que te referes é a que consta de uma certa literatura com
características de romance; como tal, não pode ser tomada por axioma. Na
verdade, desvirtua o Espiritismo e menoscaba Deus.
[1]
A lei de Causa e Efeito também não é descrita pelo
determinismo (doutrina filosófica), porque não a restringe a inevitabilidade.
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