XXVII


- 1) Há pesquisas que apontam no sentido de a mediunidade estar relacionada com alterações genéticas, que predispõe a uma maior sensibilidade. Dado que a “faculdade propriamente dita se radica no organismo” (LM 226-1ª), podemos ver a mediunidade como uma determinação genética?

2) Os delírios e alucinações na epilepsia do lobo temporal encontram-se também descritos na fenomenologia mediúnica. Há  correlação entre mediunidade e epilepsia?

 

- 1) Estudiosos acreditam que os dotes mediúnicos estão ocultos no genoma considerado “lixo”- e esta designação por se desconhecer a função -, mas que com a evolução se tornará actuante pela activação de novos trechos. Num enquadramento epigenético vêm o Espírito como factor de destaque de secções de ADN, evidenciando o que é lido.

Mas ainda não há nada que prove que seja assim, e a primeira evidência é que a mediunidade não é hereditária, além de poder sofrer suspensões na manifestação.

A melhor pista para entender o carácter orgânico da mediunidade está na glândula pineal. Como explica um cientista [Sérgio Filipe Oliveira], «A pineal, no que diz respeito à mediunidade, capta o campo eletromagnético, impregnado de informações. Mas tudo isso tem que ser interpretado em áreas cerebrais, como por exemplo, o córtex frontal. A mediunidade está ligada a uma questão de senso-percepção. Então, a ela não basta a existência da glândula pineal, mas sim, todo o cone que vai até o córtex frontal, que é onde você faz a crítica daquilo que absorve. A mediunidade é uma função de senso (captar)-percepção (faz a crítica do que está acontecendo). Então, a mediunidade é uma função humana.» Sim, Kardec estava certo ao fazer da mediunidade um atributo biológico e não um conceito religioso.

2) Substâncias psicoactivas e estímulos eléctricos provocam estados alterados de consciência onde podem ocorrer experiências místicas, que a teoria da mediunidade descodifica. Ora a epilepsia resulta de descargas eléctricas anormais [no sistema límbico], mas estudos com electroencefalogramas (EEG) em médiuns não mostraram alterações que as vinculasse à epilepsia, o que refuta a ideia de que sejam a mesma coisa.[1] Não há, pois, ligação causal entre actividade epiléptica e mediunidade, mas na ausência de electroencefalograma nem sempre será possível discernir a diferença. Epilepsia é uma condição neurológica, mediunidade é uma condição psíquico-sensorial de relação com o espiritual.

Todavia, a mediunidade tem um efeito superlativo: cresce num indivíduo bom, de bons sentimentos, e dá dimensão muito maior a um desequilíbrio, a uma doença, pelo que um episódio epiléptico em alguém com mediunidade ostensiva pode tomar dimensões alarmantes.

[A pessoa capta pela pineal a onda do espectro magnético, próprio da comunicação mediúnica e muitas vezes não tem consciência disso; pode ser um fenômeno inconsciente. E essa captação, vai amplificar os fenómenos que ocorrem nesta outra área do cérebro que é o hipotálamo: a fome, a sexualidade, a agressividade e o sono.

A pessoa que recebe uma influência espiritual, pode, portanto, ter uma alteração e uma perda de controle cíclica desses comportamentos, ou da fome, como as bulimias, a obesidade, as anorexias ou do sono, com os diversos padrões de transtorno do sono, ou da sexualidade e aí nós diríamos, a dificuldade de formar vínculos, ou a agressividade, a autoagressividade, a depressão, fobias, que são formas autoagressivas ou heteroagressividade, a irritabilidade. (Sérgio Filipe Oliveira. Fenomenologia Orgânica e Psíquica da Mediunidade)]

Acrescentando a relevância das criações fluídicas[2]  ao que já de si é complexo, fica turvo ao espectador o que na experiência mística é realidade e o que é imaginação.

  

[1] Estudiosos da Bíblia acreditam que Paulo sofria de epilepsia – e Maomé também é forte candidato. E F. C. Xavier.

(Há um processo psicológico sob o qual uma pessoa, contando repetidas vezes um episódio e obtendo para ele o consenso de seu meio, acaba a acreditar que ele é de facto verdadeiro, e nunca mais duvidará de que assim não seja.)

[2]Nos seus momentos de emancipação, gozando a alma encarnada parcialmente das faculdades de Espírito livre, pode produzir efeitos análogos. Aí pode estar a causa das visões ditas fantásticas. Quando o Espírito está fortemente imbuído de uma ideia, seu pensamento pode criar uma imagem fluídica correspondente, que para ele tem todas as aparências da realidade.” (RE66, Agosto)

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